terça-feira, 28 de abril de 2020

Prévia indica deflação de 0,01% em abril, aponta IBGE

Supermercado na Zona Norte de São Paulo — Foto: Kátia Beziaco/Arquivo pessoal

Com queda dos preços dos combustíveis, IPCA-15 teve menor taxa para meses de abril desde 1995. Preços dos alimentos, porém, subiram 2,46%.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) teve deflação de 0,01% em abril, em meio a queda dos preços dos combustíveis e tombo da atividade econômica, segundo divulgou nesta terça-feira (28) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março, o indicador – que é considerado uma prévia da inflação oficial – havia ficado em 0,02%.

Segundo o IBGE, foi a menor taxa para meses de abril desde 1995 e a primeira deflação desde dezembro de 2018 (-0,16%).

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,94% e, em 12 meses, a variação acumulada é de 2,92%, abaixo dos 3,67% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.


IPCA-15 — Foto: Economia G1

Queda do preço dos combustíveis
Seis dos 9 grupos pesquisados tiveram deflação em abril.

Segundo o IBGE, a queda nos preços dos combustíveis (-5,76%) foi o fator que garantiu a deflação no mês. A gasolina (-5,41%) exerceu o maior impacto individual negativo no índice (-0,27 ponto percentual). Ao longo de março, a Petrobras anunciou várias reduções nos preços nas refinarias em meio ao tombo dos preços internacionais do petróleo.

Os preços do etanol (-9,08%) e do óleo diesel (-4,65%) também recuaram no mês. O grupo Transportes (que abrange o preço dos combustíveis e tem o maior peso no consumo das famílias) teve a maior influência na taxa do mês, com queda de 1,47%.


Outro grupo a apresentar queda mais intensa em abril foi artigos de residência (-3,19%), com destaque para os eletrodomésticos (-7,15%).

Veja o resultado para cada um dos grupos pesquisados pelo IBGE:

Alimentação e bebidas: 2,46%
Habitação: 0,12%
Artigos de residência: -3,19%
Vestuário: 0,01%
Transportes: -1,47%
Saúde e cuidados pessoais: -0,32%
Despesas pessoais: -0,28%
Educação: -0,01%
Comunicação: -0,30%


Preços dos alimentos sobem 2,46%

No lado das altas, os preços do grupo Alimentação e bebidas, subiram 2,46%, com impacto de 0,48 p.p no IPCA-15. No grupo, o item alimentação no domicílio foi o que mais pesou, com aumento de 3,14%.

Entre os itens que ficaram mais caros em abril, destaque para cebola (35,79%), cenoura (31,67%) batata-inglesa (21,24%) e tomate (17,01%). Os preços das carnes (-0,27%) recuaram pelo terceiro mês consecutivo, embora a queda sido menos intensa que as registradas em fevereiro (-5,04%) e março (-1,81%).

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Perspectivas e meta de inflação
A meta central do governo para a inflação em 2020 é de 4%, e o intervalo de tolerância varia de 2,5% a 5,5%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que está atualmente em 4,25% ao ano – mínima histórica.
A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo do piso da meta. Os analistas das instituições financeiras reduziram a projeção de inflação para 2,20% no ano, conforme aponta a última pesquisa Focus do Banco Central. Foi a sétima redução seguida do indicador.
A nova redução da expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia brasileira e mundial, e colocado o mundo no caminho de uma recessão.
O mercado continuou prevendo redução da taxa Selic nos próximos meses, que atualmente está em 3,75% ao ano. Os analistas seguem estimando um recuo para 3,25% ao ano no começo de maio, e um novo corte em meados de junho – para 3% ao ano – patamar no qual fecharia 2020.
Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, o resultado do IPCA-15 sugere mais uma vez que dado o choque de demanda os preços tendem a ficar baixos ao longo do ano, o que abre caminho para cortes adicionais na taxa básica de juros (Selic).

"No geral a inflação está sob controle revelando assim o novo equilíbrio dentro da sociedade onde a demanda por alimentos cresce em detrimento de outros produtos e isto sugere que dentro dos modelos do BCB haja espaço para maiores cortes na Selic", avaliou.
Fonte: G1

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