terça-feira, 7 de abril de 2020

Mandetta diz que segue no Ministério da Saúde: "nós vamos continuar"

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, continua no cargo e na condução das ações de combate à pandemia do novo coronavírus.

Após um dia de especulações sobre uma possível demissão do ministro por decisão do presidente Jair Bolsonaro, Mandetta deu entrevista coletiva por volta das 20h20min desta segunda-feira (6) para confirmar que continua no cargo.

- Nós vamos continuar, porque continuando vamos enfrentar nosso inimigo. E nosso inimigo tem nome e sobrenome: é a Covid-19. Médico não abandona paciente, e eu não vou abandonar - frisou.

Apesar de reafirmar a permanência no cargo, Mandetta admitiu dificuldade de conduzir as ações em um momento em que "todos estão com os nervos à flor da pele" e em que "as reações são as mais extremadas".

Mandetta disse que o ministério tenta ser "a voz da ciência" e que prega o trabalho com transparência nos números e nas decisões.

- Não temos nenhum receio da crítica. A crítica construtiva enobrece, nos faz rever e dar passos à frente. O que temos muita dificuldade é quando, em determinadas situações, por determinadas impressões, as críticas não vêm no sentido de construir, mas vêm trazer dificuldade no ambiente de trabalho. Isso tem sido uma constante: o ministério adotar uma determinada linha e termos que voltar, fazer determinados contrapontos para realinhar a equipe - lamentou Mandetta, em referência clara a falas polêmicas do presidente Jair Bolsonaro, que tem criticado o isolamento social defendido pelo ministério.

Limparam até as minhas gavetas, diz Mandetta
Mandetta disse que alguns funcionários chegaram a limpar as gavetas e que a indefinição sobre demissão ou não atrapalhou o rendimento do trabalho no Ministério nesta segunda-feira.

– Hoje foi um dia que rendeu muito pouco o trabalho do ministério. Teve gente limpando gaveta, pegando as coisas. Até as minhas gavetas.

Ao final do pronunciamento, o ministro disse que a reunião com o presidente Bolsonaro foi "produtiva".

– Acho que o governo se reposiciona no sentido de ter mais união, ter mais foco, todos unidos em direção a esse problema. Temos que saber se a China vai normalizar o abastecimento, se os parâmetros normais de mercado vão nos dar alguma segurança – listou.


Mandetta disse que aproveitou o fim de semana para ler e descansar depois de dias de muita polêmica sobre os desentendimentos entre ele e o presidente Bolsonaro.

– Infelizmente começamos com mais um solavanco essa semana de trabalho. Esperamos ter paz para conduzir – frisou.

Por fim, o ministro deixou claro que o país ainda não está preparado para uma escalada de casos e reafirmou a necessidade de isolamento social.

– A saúde, a ciência ainda vai achar uma saída mais elegante. Por enquanto, o que temos é uma saída muito primitiva, que é procurarmos o isolamento – ressaltou.

Deputada catarinense defende ministro
A deputada federal catarinense Carmen Zanotto (Cidadania), que coordena as ações contra o coronavírus na Região Sul, falou em defesa do ministro Mandetta na coletiva desta segunda-feira.

– Com o conhecimento do ministro Mandetta, vamos lutar para evitar as mortes e combater esta doença – destacou.

No encerramento, Mandetta deixou claro a disposição em ajudar enquanto o governo acreditar nas ações que o Ministério vem tomando.

– Sabemos do momento que passa o país, da importância de permanecer e ajudar. Estão todos dando seu quinhão a mais de colaboração. Também daremos o nosso sacrifício, até quando formos importantes, nominados, fizermos alguma diferença. Ou até quando o presidente entender que outra equipe, que não queira ese tipo de trabalho, que fale "olha, o caminho não é por aqui, é por ali", que encontre as pessoas certas, substitua, e a gente está aqui para ajudar. Mesmo que venha outra equipe, vamos ajudar. Agora, chega deste assunto e vamos trabalhar – encerrou.

Bolsonaro critica condução do ministro em meio à pandemia

Bolsonaro vem colecionando críticas à maneira com que Mandetta conduz a crise causada pelo novo coronavírus no país. O presidente é contra o isolamento social, conduta recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), praticada nos países com alta incidência da Covid-19 e apoiada por governadores e pelo Ministério da Saúde.

Bolsonaro também criticou a conduta de Mandetta na última quinta-feira, em entrevista à Rádio Jovem Pan, ao acusar o ministro de “falta de humildade”. Neste domingo, sem citar nomes, Bolsonaro disse que "algumas pessoas" do governo "de repente viraram estrelas e falam pelos cotovelos" e disse não ter medo de “usar a caneta” contra eles.

Questionado sobre as críticas de Bolsonaro e falas do presidente que contrariam a recomendação de isolamento social da OMS, Mandetta negou qualquer possibilidade de pedir demissão e disse que seguiria no cargo enquanto o presidente quisesse. Na sexta-feira, Mandetta disse que “médico não abandona o paciente” ao negar novamente a possibilidade de pedir demissão. Nesta segunda-feira, repetiu esta fala para garantir que pretende permanecer no cargo.

Aprovação de Mandetta em meio à pandemia é de 76%
As críticas de Bolsonaro ao isolamento social também atingiram governadores que apoiaram o ministro Mandetta e o isolamento social, como o governador de São Paulo e adversário político de Bolsonaro, João Doria (PSDB), e o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL).

Apesar das críticas de Bolsonaro, pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (3) indicou que a postura do Ministério da Saúde diante da crise do novo coronavírus é aprovada por 76% dos entrevistados. Já a conduta do presidente durante a pandemia tem aprovação de apenas 33%, menos da metade do percentual de apoio a Mandetta

Fonte: NSC.

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