quarta-feira, 18 de março de 2020

Casal que vive na França adia casamento no Oeste catarinense por conta da pandemia do coronavírus

Antes de todo esse surto e preocupação com o coronavírus, o casal Natalia Bonan e Felippe Matos, que vive na França há quase dois anos, contava no calendário os dias para trocar alianças em um matrimônio reservado com a família, no Oeste catarinense.

A pós-doutoranda Natalia, de 30 anos, nascida em São Domingos, conversou com o Oeste Mais para contar um pouco sobre a vivência dela e do companheiro, natural de Curitiba (PR), após o isolamento devido ao Covid-19.

O casal está vivendo em uma cidade chamada Dijon, região da Borgonha, na França, onde cafés, restaurantes, bares e até lojas foram fechados devido à quarentena. Ela afirma que em apenas quatro dias, a vida dela e de Felippe mudou muito devido às novas medidas, que são tomadas a cada 24 horas.

“Estamos meio perdidos ainda com a ideia de não poder sair e ansiosos, pois não sabemos até quando isso vai durar. Teoricamente são 30 dias. Mas não é nada certo, o que gera ansiedade. Mas por enquanto nada de pânico. Entendemos bem a importância de tudo isso nesse momento”, comentou Natalia ao Oeste Mais.

Conforme ela, durante a quarentena, a circulação pelas ruas é proibida em Dijon. As pessoas apenas podem sair de casa para comprar comida, ir à farmácia e trabalhar, porém, tudo mediante a apresentação de um tipo de ‘atestado’, onde se declara ciente das normas de circulação e ainda precisa constar o motivo da saída.

Natalia explica que os moradores estão sujeitos a serem multados caso as normas não sejam cumpridas. “Até quarta-feira da semana passada não se falava muito da contaminação. Casos pipocavam a toda hora na França, mas nada de alarme e nem medidas para controle. Apenas as recomendações básicas de higiene”, fala.

De acordo com ela, as coisas começaram a mudar depois que o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um pronunciamento para alertar as pessoas sobre os cuidados necessários.

As medidas foram adotadas no último sábado, dia 14, porém, mesmo depois da interdição, as pessoas continuavam sem respeitar e a circulação era livre, havendo até aglomerações em parques da cidade.

Natalia, depois de saber sobre o cancelamento do voo que a traria para o Brasil, passou em um dos supermercados para fazer as compras necessárias. No local, havia filas de pessoas preocupadas em fazer estoque.

“Eles estão controlando a entrada para que não aglomere tantas pessoas dentro do mercado. Mas conseguimos comprar tudo que precisávamos. Alguns itens estavam em falta nas marcas mais acessíveis, mas a equipe do mercado estava repondo as prateleiras sempre que possível”, ressalta a brasileira, que se diz assustada com as mudanças repentinas de rotina.

Casamento adiado

Natalia e Felippe se casariam no próximo dia 4 de abril, no município de Vargeão, onde mora boa parte da família da jovem. Mesmo com os preparativos em estágio avançado, o casal, que está junto há três anos, vai ter que esperar mais um tempo até a hora do sim.

“Nós já tínhamos falado com a família e estávamos dispostos a adiar por questões de segurança. Temos avós que fazem parte do grupo de risco e não seria prudente. Não é um risco que vale a pena ser corrido”, comenta Natalia.

Isolados em casa

Após o pedido de isolamento, o casal e todos os outros moradores da França tentam fazer coisas para se ocuparem durante toda a quarentena. Apesar de serem proibidos de sair de casa, as atividades físicas ainda estão permitidas na França, isso porque ajuda a manter a imunidade alta e pode evitar a contaminação. As corridas, por exemplo, podem ser praticadas, desde que sejam feitas perto da residência.

“Estamos trabalhando remotamente. Isso ajuda manter a cabeça ocupada e também manter a rotina de trabalho, fazendo o tempo passar mais rápido. O importante nesse momento é tentar ao máximo se ocupar para não deixar o pânico e a ansiedade tomar conta. Mas programar algo é difícil. Muito estranho lembrar que não podemos sair de casa de maneira livre”, finaliza.

Fonte: Oeste Mais.

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