terça-feira, 23 de maio de 2017

Polícia prende marido que teria forjado o suicídio da esposa no Oeste

A Polícia Civil, através da Delegacia da Comarca de Coronel Freitas cumpriu um mandado de prisão preventiva, na tarde desta segunda-feira, 22, em desfavor de um homem de 27 anos e dois mandados de busca e apreensão referentes a um bárbaro caso de homicídio qualificado/feminicídio, ocorrido no dia 21/04/17, que foi registrado como sendo um suicídio. A arma do crime não foi localizada.

O caso:

No dia 21/04/17 foi registrado na CPP de Chapecó o boletim de ocorrência de suicídio em que teria sido vítima a uma jovem, de 21 anos, onde segundo relatado pelos familiares ela teria efetuado um disparo de arma de fogo na testa e pouco tempo depois veio a óbito, no Hospital de Coronel Freitas.

Segundo o Delegado Gustavo Oliveira Altemar, a Polícia Civil foi acionada e juntamente com o IGP foram realizadas as diligências necessárias na residência da vítima, local onde supostamente ela teria cometido suicídio, sendo constatado que arma de fogo utilizada havia desaparecido. “Instaurado o Inquérito Policial para apurar os fatos, a Polícia Civil imediatamente verificou algumas circunstâncias que chamaram atenção e logo se descartou a possibilidade de ter ocorrido um suicídio. Além da arma de fogo ter desaparecido, o laudo pericial de exame necroscópico demonstrou através das fotos que a lesão produzida por disparo de arma de fogo na vítima foi em sua testa, quando estaticamente os casos de suicídio apontam que as vítimas acabam por efetuar o disparo de arma de fogo na têmpora, abaixo do queixo ou ainda dentro da boca, já que para posicionar a arma de fogo em direção à testa é extremante difícil e desconfortável”, explica.

O Delegado disse ainda, que no dia dos fatos, a vítima estava tendo um dia comum, seguindo a mesma rotina de sempre, iniciando inclusive o preparo do almoço. “Porém, tanto pelas estatísticas, como pela experiência em casos de suicídio, é sabido que as vítimas realizam todo um preparo, como se um ritual fosse, para depois tirar a própria vida e não começaria a cozinhar e de repente pegaria uma arma de fogo e ainda, dentro da cozinha, atiraria na própria cabeça. O laudo pericial de exame necroscópico necessitou de uma complementação importantíssima para afastar definitivamente a possibilidade de estarmos diante de um suicídio. Requisitada esta complementação pela Polícia Civil, o médico legista perito do IGP/IML prontamente confeccionou a complementação e concluiu que a vítima não apresentava lesão produzida por disparo de arma de fogo decorrente de um “tiro encostado”, que é característico em casos de suicídio com o emprego de arma de fogo. O “tiro encostado” é aquele em que a boca do cano da arma se apoia no alvo, possibilitando que a lesão seja produzida pela ação do projétil e dos gases resultantes da deflagração da pólvora, assim como o “tiro a curta distância” que também apresenta sinais característicos decorrentes dos gases e resíduos de combustão da pólvora expelidos pelo cano e neste caso, a vítima apresentava uma lesão produzida por “tiro distante ou tiro à distância”, que não possui nenhum dos sinais secundários citados acima”, afirma.

De acordo com o Delegado, portanto, diante da conclusão do crime ser um homicídio/feminícidio e não de um suicídio, após a realização de intensas diligências investigativas, apontou-se a existência de um único suspeito, que era o “marido” da vítima, pois conforme provas já produzidas, ele foi o primeiro e único a ter contato sozinho com a vítima. “O Inquérito Policial que apura o caso será concluído no prazo de 10 dias” concluiu.

O indiciado após negar o crime, foi encaminhado ao Presídio Regional de Chapecó, onde permanecerá à disposição do Poder Judiciário.

Fonte: Polícia Civil

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